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06 October 2009

Três semanas em Portland

Nas próximas três semanas, antes do regresso a casa, ficarei por Portland entre aulas, trabalho de investigação e tempo para explorar os cantos da cidade que ainda não conhecemos.

O trabalho de investigação da diversidade continua, com muita ajuda e apoio dos meus colegas de grupo - que têm sido incansáveis. Hoje tivemos uma tarde de trabalho e esta semana esperam-me mais duas reuniões de trabalho antes de apresentarmos os primeiros resultados na sexta. A este ritmo, vamos conseguir levar o barco a bom porto - e talvez mais cedo do que o esperado.

Destes meses na universidade levo sobretudo a experiência de trabalhar em equipa e numa equipa internacional. Trabalhar mesmo em equipa e mesmo numa equipa internacional. Muito mais que em Coimbra. Muito mais até que em Cesena. Este mestrado não foca apenas conhecimentos. Foca também essas competências que precisamos no dia-a-dia numa empresa. Digamos que ando a aprender sem aprender. E a aprender muito.

22 September 2009

O regresso às aulas sem a Leopoldina...

Ando a ver as aulas disponíveis para o período de Outono aqui na faculdade. Estou bastante curioso face ao que oferece a School of Business and Administration - nalguns casos, os mesmos conteúdos mas, espero, diferentes pontos de vista e métodos de ensino.

Uma diferença: nos Estados Unidos, as aulas não duram um semestre e não correm juntas durante meses. Cada ano lectivo não tem dois semestres como em Portugal mas quatro períodos com blocos intensivos de aulas que duram algumas semanas e que se distribuem pelo Outono, Inverno, Primavera e Verão. Sim, como as estações do ano.

10 September 2009

Se calhar a Manuel Moura Guedes entrava no elenco...

O programa de televisão a que íamos assistir foi cancelado.

08 September 2009

Pedro no mundo da televisão?

Com o TV Tickets (ver aqui a página) podemos obter a custo zero bilhetes para assistir à gravação de séries e programas americanos na região de Los Angels. Pois bem, já estão a ver onde eles arranjam aquele riso de pacotilha para o Seinfeld.
Por duas semanas que não pude assistir ao Dr. Phil. Seria uma experiência surreal para um licenciado em psicologia - afinal, este senhor está para a psicologia como Kim Jong-il para os valores da liberdade de expressão.

Acabámos por ficar com bilhetes para uma sitcom que acompanha o dia-a-dia de um antigo jogador de futebol americano que se tem que adaptar à vida familiar depois de anos de sucesso desportivo. E este é o protagonista...


Foto: Google Images

07 September 2009

Lembrem-se, tudo isto é a pensar na segurança nas estradas americanas...

Está confirmado: no estado de Oregon, não existe qualquer impedimento para o uso do telemóvel enquanto se guia.

06 September 2009

My twilight zone moment

Sob o lema it's good to be full, a Hungry-Man, algo como homem esfomeado, traz-nos por uns módicos 1,99 dólares uma refeição ultra-congelada de micro-ondas com o verdadeiro sabor americano. Frango frito, milho e puré de batata. Satisfeitos? Caso ainda não o estejam, existe sempre um chocolat brownie à vossa espera no fundo da caixa. Um americano não espera menos da Hungry-Man... Talvez por isso a caixa assinala com orgulho que são 1 lb. de food ou, traduzindo em português, cerca de meio quilo de algo que se assemelha a comida.

Foto: Google Images

Esta não era uma má ideia para o simplex...

Há pequenos detalhes que melhoram o dia-a-dia das pessoas: se, por exemplo, eu quiser fazer o meu passaporte português terei que ir ao governo civil do meu distrito; aqui, um americano faz o passaporte em qualquer estação de correios da sua zona.

Oregon State Fair

A Oregon State Fair é um grande evento e este ano em especial: o Oregon comemora 150 anos desde que se tornou o 33º estado dos Estados Unidos. Aqui mostra-se o melhor que se produz, o que a economia do estado oferece, o que as organizações defendem como projectos. A feira coincide com Labour Day, o dia do trabalhador que aqui se comemora em Setembro e é mais um evento social que político.

Mas porquê em Salem? Ao que parece Salem, mesmo sendo uma cidade mais pequena que Portland, é a capital do estado. Não é algo incomum - o mesmo se passa, por exemplo, com Seattle no estado de Washington, Chicago no Illinois ou Detroit no Michigan.

A feira pode em algumas coisas lembrar a Ovibeja ou a Feira de São Mateus mas fica-se por aí. A american way of life é diferente da portuguese one e isso nota-se.

Temos os inevitáveis legumes gigantes e o gado pujante. Bom gado e bons cavalos já tinha visto, mas coelhos do tamanho de um cão nunca. A filosofia super size menu está por toda a parte: seja nos prémios nas barracas de jogos - em que um miúdo pode subitamente ver-se a braços com um peluche de uma banana do tamanho de uma cama -, seja nas doses na área dos restaurantes - onde facilmente vemos uma pessoa dar conta de uma gigante perna de peru ou dos espantosos e calóricos monster fry bricks, autenticos tijolos de batatas fritas.

Por sugestão do Philip, provei um corn dog, uma salsicha panada que é muito saborosa. Porque a desgraça já estava no caminho, provei uma elephant ear, uma espécie de fartura que, como o nome diz, tem a forma de orelha de elefante e vem acompanhada do inevitável açúcar e canela. Os vendedores portugueses que me perdoem, mas nunca vi estas maravilhas à venda na Feira de São Mateus...









Pedro no curioso mundo dos rodeos

Os Estados Unidos têm esta característica extraordinária de nos oferecerem sempre surpresas. E de terem pessoas surpreendentes. Na semana passada, um jovem casal americano, que conhecia há escassas horas, desafiou-me espontaneamente a ir com eles ver um rodeo.

Foi uma boa oportunidade para fotos, como me antecipou o Philip - e tinha razão. Só posso voltar a agradecer ao Philip e à Susannah pela oportunidade de os acompanhar a eles e aos seus dois filhos nesta viagem. Foi uma grande experiência!

Ver um rodeo nesta parte dos Estados Unidos foi, no mínimo, inesperado. Ora, temos esta tendência para imaginar que os Estados Unidos são uma cópia do Texas de norte a sul e oeste a este, ora pensamos que estas coisas só se passam no sul - nos desertos dos filmes de cowboys. As aparências enganam: com uma área igual ao nosso Portugal mas apenas 3 milhões de habitantes, um terço a viver aqui em Portland, o estado do Oregon é sobretudo natureza, florestas, campos agrículas e de pastagem. Neste país, onde tivermos gado, podemos esperar encontrar os tais cowboys...

Foi uma das coisas mais espantosas que vi neste mês que levo nos Estados Unidos. Os americanos sabem o que fazem. Um rodeo é quase uma forma de arte. No fim de contas, esta é uma das suas tradições mais genuínas.

O público responde sofre com a tensão e vibra com vitórias. Vê-se que gostam do que vêem. E vê-se que os que participam no rodeo gostam do que fazem. Os cavalos selvagens que não querem ser montados não querem ser montados. Os cowboys que saltam da montada para atirar por terra os vitelos saltam com força. Os cowboys que disparam com precisão são certeiros. E os que mostram truques com os laços fazem arte.

Ali joga-se muito. A imagem de um homem como homem. A imagem de um negócio. A imagem de uma tradição. Meses de trabalho. Não pude deixar de notar que ao fundo da arena, longe dos olhares do público que observa mais uma exibição, um grupo de amigos ou irmãos se ajoelhava em círculo e rezava antes que um deles montar um cavalo selvagem. É isso que trago dali: aquilo é algo autêntico.





01 September 2009

Impressões sobre o mundo académico americano

Na América trabalha-se. Trabalha-se muito, como me dizia o Bert, um dos meus colegas de casa americanos. Trabalha-se bem, como vejo na faculdade no modo como as reuniões de trabalho são directas e rápidas. Mas em muitos casos, nós, europeus, ignoramos que na Europa também se trabalha muito bem.

Uma das grandes diferenças é a capacidade que os americanos têm, e nós não, para valorizar, destacar e dar a conhecer o que é feito. Isso é uma grande qualidade deles. E uma das razões do prestígio das instituições académicas americanas. A agressividade comercial aplicada ao mundo académico. Como se as universidades fossem empresas que têm que vender um produto. E, verdade seja dita, não é essa a realidade?

Não tenho dúvidas, comparando-o com outros, que o nosso mestrado é dos melhores na área dos recursos humanos. Como eu e o José falávamos há uns tempos, o principal desafio que este recente mestrado europeu enfrenta é sobretudo que isso seja percebido por futuros candidatos e por futuros empregadores. Por outras palavras, que o mestrado seja mais conhecido e valorizado por quem pode vir a entrar para ele e para quem pode vir a beneficiar dele. Dizem-me estes últimos meses de experiência, divididos entre três países e três realidades, que se divulgarmos o que temos e o que fazemos, do mesmo modo que os americanos fazem, o mestrado falará por si.

Impressões sobre a política americana

Na quinta passada, fomos a uma sessão de debate na universidade de balanço das reformas da administração Obama. Uma oportunidade para saber o que pensam os americanos do seu presidente.

Após alguns dias, continuo a interpretar o debate com cuidado. Primeira ideia: quem estava naquela sala não representa o pensamento de todos os americanos. Naquela sala, Obama não foi criticado por uma direita mais conservadora e evangelista. Naquela sala, Obama foi criticado por sectores que, julgava, deveriam à partida apoiá-lo. Obama foi retratado como alguém que exerce uma presidência imperialista, que pouco se distingue de Bush. Sem perceber os desafios que isso apresenta para as dimensões e particularidades do seu país, as pessoas pediam literalmente que as mudanças fossem uma realidade já amanhã. Algo que alguém soube resumir tão bem dizendo we need a fucking different world - um dos pensamentos políticos mais densos e coerentes que já vi na minha vida. Para mim, ali não fiquei a saber o que pensa a América. Fiquei talvez a perceber que entre a violência e utopismo desta corrente anarquista e o radicalismo e absurdo do dos evangelistas e conservadores, poucas diferenças se encontram.

A assistência oferecia, entre si, mais diversidade de opiniões que o painel de oradores. Um jovem, por exemplo, defendeu Obama assumindo que numa América tão heterogénea talvez fosse essencial um presidente mais moderado e que promova o diálogo entre todas as partes. Outro exemplo foi o de um palestiano, que, um tanto incomodado, criticou uma jornalista que falara sobre a política para o Médio Oriente afirmando que era exagerado dizer que a presidência Obama segue a mesma política da de Bush e que para o provar bastava ver a impopularidade que Obama tem entre certos sectores da população israelita, favoráveis aos colonatos. O desmotivante no debate foi observar que aquele painel ignorou estes contributos. Ironicamente, este painel que tanto criticou os defeitos de Obama, cometeu um que este não comete: saber ouvir e debater opiniões contrárias.

Obama é um conciliador. Aquelas pessoas não. Isso explica muita coisa. O resto, explicou-o uma pessoa na assistência: o voto em Obama foi, em muitos casos, um voto de protesto. Feitas as contas, o maior desafio de Obama poderá não estar nos que o sempre criticaram mas nos que um dia o apoiaram.

Foto: Google Images

O retrato económico da América

No debate da passada quinta houve, contudo, uma participação inicial que cumpriu o seu papel: fazer um retrato económico da actual América para lançar as intervenções do painel. O retrato de uma América que tem uma taxa de 9,5% de desempregados ou, se pensarmos no estado de Oregon, uma taxa que chega aos 13,5%. Aquela onde se diz que os 800 mil milhões de dólares do pacote de recuperação Obama são pouco porque não são mais que 3% do produto interno e muito menos que o pacote de ajuda ao sector financeiro. Aquela onde o maior empregador são as forças militares, contando nas suas fileiras com mais de 3 milhões de americanos. A que gasta o dobro da maioria dos países industrializados em saúde e tem dos piores resultados. Aquela onde, desde que Obama chegou ao poder, foram dados alguns sinais positivos, comentou.

My twilight zone moment

Num festival aéreo esperamos encontrar aviões. Mas num festival aéreo na América devemos esperar também encontrar a demonstração dos Robosauraus. O espectáculo é tão invulgar e irreal como simples: um gigante dinossauro de metal, com os seus quatro a cinco metros de altura, desliza ao longo da pista do aeroporto agarrando carros velhos que parte em dois e esmaga enquanto cospe fogo e lança rugidos.

O dinossauro é falso. Os carros cortados previamente. Os rugidos primtivos gravados de um qualquer filme. O fogo é mais uma chama que nem chega a queimar a pintura do carro. Mas o público aplaude, delira e entusiasma-se como se assistisse a uma verdadeira matança em pleno Jurássico.



Impressões sobre a identidade americana

Os americanos batem realmente palmas quando ouvem o hino. Os americanos acreditam realmente que um militar que vem do Iraque e do Afeganistão é um herói e que ali luta pela liberdade. Como em tantas outras coisas, isto, que vemos em filmes e documentários e nos parece exagerado, é o retrato de uma certa América.

Os americanos parecem ter uma necessidade de encontrar heróis. De ter algo a que se agarrar. Momentos e figuras que possam recordar e admirar. Talvez isso tenha muito que ver com a identidade americana. Ou a dificuldade em encontrar uma. A história da América é a história de vários povos - entre europeus, asiáticos, africanos e sul americanos. A sua história não é única, as suas raízes não são únicas, a sua cultura não é única e mesmo a língua não é única.

Não encontramos aqui, como na Europa, uma identidade com séculos, construída sobre sucessos e insucessos, heróis e vilões, medo e coragem. A história americana é a história de sonhos. Mas de sonhos recentes. Estados Unidos, sim. Porque teve que se unir algo que estava disperso.

A América precisa de heróis intemporais, carregados de virtudes e defeitos. Lincoln não é Napoleão. Edison não é Galileu. Armstrong não é Colombo. Gershwin não é Mozart. Warhol não é Da Vinci. Os heróis americanos são recentes. Mais grave: a maioria dos heróis americanos são demasiado americanos.

Para os americanos, os militares que voltam da guerra, o seu presidente, os seus atletas devem ser admirados e aplaudidos. Eles são, quem sabe, os heróis que este povo, quase inconscientemente, tanto necessita.

26 August 2009

Edward "Ted" Kennedy (1932 - 2009)

O senador democrata Edward "Ted" Kennedy morreu hoje aos 77 anos de idade. Um dos principais rostos do clã Kennedy, o irmão sobrevivente a John e Robert Kennedy, candidato presidencial, um dos patriarcas da família democrata e um aceso defensor dos valores liberais e da justiça social. O senador senior do estado de Massachusetts foi, nestes últimos meses, um importante apoiante do presidente Obama e o do seu projecto de um sistema de sáude de acesso universal.

O respeito e admiração que reunia entre todos os quadrantes, a sua persistência na defesa das suas ideias e a sua trajectória política e experiência, tenho reparado, eram reconhecidos em vários jornais. Não é apenas a política americana que fica mais pobre com a morte do senador Kennedy. É a política dos valores que fica mais pobre.

Foto: Google Images

Assim vai o trabalho

Reunião à hora de almoço no departamento. Tenho notado uma certa tendência para as reuniões de trabalho serem agendadas para a uma da tarde. A razão é simples: aqui normalmente almoça-se mais cedo, nalguns casos mesmo por volta das 11 horas da manhã. Marcar uma reunião para a uma da tarde não significa, como aconteceria em Portugal, roubar a hora de almoço à pessoa. Apenas se assume que a pessoa já almoçou a essa hora e está pronta a começar o trabalho da parte da tarde.

As reuniões aqui desenvolvem-se de forma rápida, comunicamos o que fizemos, as nossas dúvidas, trocamos impressões e recebemos sugestões. Tem sido assim, quer em reuniões a dois, quer com mais colegas. Existe um certo let's get straight to the point. Agrada-me isso. Existe, ainda assim, espaço para um aquecimento, uma conversa mais informal. Tanto quanto sei, isso não é tão comum entre americanos - pelo menos, esta é uma diferença que os europeus costumam notar em situações de trabalho.

Para já, esta semana irei reorganizar as bases de dados e correr algumas novas análises depois de ter discutirmos algumas opções e soluções para os problemas encontrados. E, como a certa altura se falou na reunião, nestas coisas das investigações, é muito bom que os erros surjam. É muito bom sinal. Eu que o diga no caso da minha tese.

20 August 2009

Getting in touch with America,

A visão dos Estados Unidos como uma terra de oportunidades não é linear. Trata-se mais de uma situação no fio da navalha, no cutting edge, em que quem tiver sucesso tem tudo e quem não o tem não tem nada ou perde tudo o que tinha. Contudo, mesmo com todos os seus defeitos, esta é, acima de tudo, uma terra de oportunidades onde vale a pena viver, como me dizia o Anel.

Esta conversa com o Anel surpreendeu-me. Trazia comigo muitos mais estereótipos do que esperava. Na Europa tendemos a pensar que a América é simples e que os americanos são simples. Como personagens secundárias de um filme americano. Mas, a cada dia, a cada conversa, percebo que a América é mesmo um improvável melting pot - tão heterogéno como fascinante.

Uma terra de oportunidades onde muitas vezes, como o meu colega encontrou em empresas em que trabalhou, não basta ser-se o melhor, há que se ter os contactos certos, e onde ainda existe alguma discriminação. Onde existe alguma resistência à inovação e novas ideias. Onde a população é céptica relativamente às reformas sociais e morais de Obama. Onde o individualismo mina muito do trabalho de grupo nas empresas, projectos das organizações e um projecto de justiça social.

Mas este é também um país onde, face à crise, as empresas se regeneram e implementam mudanças. Um país onde as empresas caminham para a inovação, para uma maior abertura e para novos objectivos e práticas. Um país onde quem tenha ideias e projectos pode, facilmente, lançar uma empresa, seja ele de consultoria, serviços ou outros. Sem andar a ter aulas, ando a aprender muito por estes dias.

Culturas

A reunião desta tarde correu bem. O trabalho de análise está a correr bem e este encontrou serviu, sobretudo, para distribuir trabalho e conhecer as duas nossas novas colegas, a Sepi e a Aisha. Na próxima semana estarei a trabalhar na análise dos dados e cotações e vamos fazer alguns encontros para trabalhar num acordo quanto aos valores para cada entrevista. Discussões de grupo. Discussões a várias culturas -afinal, este grupo de estudo da diversidade conta com pessoas da Europa, Estados Unidos, Vietname e Sri-Lanka. É uma experiência muito interessante. Há uma curiosidade e abertura entre estudantes de várias culturas, que eu já tinha sentido em Itália, que é bastante estimulante.

Depois da reunião, oportunidade para um café com o Anel, o estudante do Sri-Lanka, que vive aqui há sete anos e que antes estudou e trabalhou na área da informática. E, quem diria, alguém com raízes em Portugal do lado da família materna? O mundo é pequeno ou, como ele disse, os portugueses de alguma forma conseguiram estar um pouco por todo o lado. Não sabia que o Sri-Lanka tinha sido uma colónia portuguesa e que hoje encontraríamos ainda muitos vestígios arquitectónicos da presença portuguesa e uma comunidade portuguesa lá. Uma pessoa aprende todos os dias.

19 August 2009

My twilight zone moment

Esta tarde, na Burnside Avenue, tive uma espécie de encontro imediato com a versão motard do Pai Natal. Consta que as renas não eram suficientemente potentes.

15 August 2009

As minhas impressões sobre o American Dream

O meu orientador de investigação, um estudante de doutoramento nos seus 25 anos, a certa parte da conversa diz que este fim-de-semana vai ver a mulher. Um outro professor de 30 anos casou-se há algumas semanas e já vive numa casa que, pelo que conta, é uma mansão. E, observa, enquanto lhe falamos do mercado de trabalho europeu, menos de 50 mil dólares ao ano para a nossa profissão é pouco. A juventude na América não é sinónimo de incertezas, mesmo com a crise em vista. A dependência dos jovens europeus, que sem grandes alternativas adiam a saída de casa até aos 30 anos, espanta-os. Sim, o american dream é mesmo verdade: aqui sonha-se com casa e família desde muito cedo, contam as pessoas pouco mais de 20 anos.

Mas aqui existe a expectativa de se atingir o topo da carreira académica aos 36 anos, como nos diziam há dias. Mas aqui um doutorado pode trabalhar na faculdade, numa empresa de consultoria e aspirar a um emprego bem pago. E conseguir encontrá-lo. Em Portugal, e mesmo em muitos países europeus, as perspectivas são menos sorridentes. Temos mais incertezas. Temos menos poder de compra, mesmo com uma moeda mais forte.

Será este o preço que nós, europeus, pagamos por um sistema de educação, desde a básica à superior, e de sáude que funcionam e são gratuitos e universais? Última nota: nenhum país é perfeito, nenhum país nos oferece tudo.