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14 August 2011

My Twilight Zone Moment

Os portugueses são conhecidos pelas suas pausas para o café mas nunca vi nenhum autocarro numa cidade portuguesa como este.
Pedro

17 July 2011

My twilight zone moment

Uma prova de que os suíços vivem num mundo à parte: até as cápsulas de café têm um contentor para a reciclagem.

Pedro

26 June 2011

My twilight zone moment

Uma coisa a reter: em Genebra uma lata de salsichas não é barata e provavelmente não faz parte do cabaz do Banco Alimentar suíço. Não aconselho, por isso, que para matar saudades de um bom produto português se tente comprar uma lata de salsichas Nobre num supermercado chinês: são apenas uns modestos 13 francos suíços, ou seja, 10 euros. Uma ida ao cinema, já agora, ficaria em pouco mais: 15 francos suíços. 

As boas notícias é que num Coop de um bairro português ou num verdadeiro supermercado português os preços são mais em conta.

Pedro

09 October 2009

My twilight zone moment

Estávamos quase a chegar ao museu de bicicleta, numa distância de quatro ou cinco quarteirões de casa. A viagem demora cinco minutos se tanto mas acabou por demorar quase 20 minutos. Sem exagerar tivemos que esperar uns bons 15 minutos enquanto, na passagem do caminho-de-ferro, passava o mais longo e mais lento comboio de mercadorias que alguma vez na minha vida. Já me habituei a que os comboios americanos, quase todos de mercadorias, sejam lentos e grandes mas este aqui é bem capaz de ter chegado à estação de comboios ainda iam os últimos vagões a passar à nossa frente.

06 September 2009

My twilight zone moment

Sob o lema it's good to be full, a Hungry-Man, algo como homem esfomeado, traz-nos por uns módicos 1,99 dólares uma refeição ultra-congelada de micro-ondas com o verdadeiro sabor americano. Frango frito, milho e puré de batata. Satisfeitos? Caso ainda não o estejam, existe sempre um chocolat brownie à vossa espera no fundo da caixa. Um americano não espera menos da Hungry-Man... Talvez por isso a caixa assinala com orgulho que são 1 lb. de food ou, traduzindo em português, cerca de meio quilo de algo que se assemelha a comida.

Foto: Google Images

01 September 2009

My twilight zone moment

Estava eu a preparar um hot-dog em casa, quando noto que as salsichas são mais castanhas que o costume e mais esponjosas. Ao comer, nenhuma diferença. O mesmo sabor de qualquer outra salsicha. Apenas as salsichas eram mais castanhas e esponjosas. Intrigado vi a embalagem e percebi que não era carne de porco. Não era sequer carne. Era tofu. Agora, se uma salsicha de tofu sabe ao mesmo que uma salsicha de porco, terá esta última que ter alguma carne de porco?

My twilight zone moment

Num festival aéreo esperamos encontrar aviões. Mas num festival aéreo na América devemos esperar também encontrar a demonstração dos Robosauraus. O espectáculo é tão invulgar e irreal como simples: um gigante dinossauro de metal, com os seus quatro a cinco metros de altura, desliza ao longo da pista do aeroporto agarrando carros velhos que parte em dois e esmaga enquanto cospe fogo e lança rugidos.

O dinossauro é falso. Os carros cortados previamente. Os rugidos primtivos gravados de um qualquer filme. O fogo é mais uma chama que nem chega a queimar a pintura do carro. Mas o público aplaude, delira e entusiasma-se como se assistisse a uma verdadeira matança em pleno Jurássico.



Um grande festival aéreo

Os meus amigos e família conhece-me esta panca antiga por aviões. Com surpresa encontrei no turismo no centro da cidade um folheto anunciando o Oregon Air Show 2009. Aquele que, soube entretanto, é o maior festival aéreo da costa oeste dos Estados Unidos tem lugar logo nesta cidade onde vim estudar e logo na altura em que estou por aqui. Consultado o programa decidi que tinha que ir: aviões a jacto dos anos 50, caças a romperem a barreira do som em frente do público e das melhoras patrulhas acrobáticas do mundo não se vêem todos os dias. Valem bem um dia ao sol ou, mais provavelmente, à chuva.

Imaginem o que mais gostam de fazer e ver e percebem bem o que sinto quando vou a estas coisas.




25 August 2009

My twilight zone moment

As poucas cartas que escrever e postais que mandar daqui dos Estados Unidos sempre terão que ir com aquele banal selo com a bandeira americana ondulante. Nos correios perguntei ao funcionário se, por acaso, teriam outros selos. Por exemplos, selos com o Barack Obama. Ele disse que felizmente que não. Fiquei hesistante. Preferiria aquele senhor um selo com a Sarah Palin? Pelos vistos não: nos Estados Unidos as pessoas apenas podem aparecer nos selos depois de mortas. Sendo assim, eu não tenho pressa nenhuma de comprar selos do presidente Obama.

My twilight zone moment

Existe um certo estereótipo do canadiano como um americano que não tem seguro médico privado e fala francês. Ora, eu não encontrei nenhum em Vancouver que falasse com outras pessoas em francês. Se bem que, às tantas, quando chegam a casa, depois de um dia de trabalho na opressora sociedade urbana anglófona, essa pobre gente solta um je suis fatigué...

My twilight zone moment

No dia anterior, no autocarro a caminho de Vancouver, uma americana de Seattle tinha-nos dado algumas dicas de locais para visitar na cidade. Uma, em particular, tinha-me chamado a atenção: na Comercial Drive existiam alguns cafés portugueses. No dia seguinte, lá estávamos na tal rua comigo a prometer ao José um típico pastel de nata - que ele nunca tinha provado.

No entanto, de português o tal Joe's Bar teria pouco mais que a bandeira nacional no toldo. Eu na minha inocência esperava entrar num pequeno micro cosmos português onde qualquer emigrante de Vouzela ou Cabeceiras de Bastos se sentiria em casa. Um sítio onde o português, depois de um dia de trabalho, poderia descansar e beber um fino, trincar uns tremoços e trocar uns dedos de conversa sobre o seu Benfica e rir-se das piadas dos Malucos do Riso. Por outras palavras, um lugar muito parecido com a Assembleia da República.

Conselho: se vir algum café português no Canadá anunciando como especialidade o seu capuccino - que como todos sabemos, é típico da zona de Pombal -, suspeite. É bem capaz de encontrar, como eu encontrei, um empregado chinês, cartazes anunciando touradas em Madrid e um dono que fala espanhol com a cliantela hispânica. Sobrou o pastel de nata. Servido bem frio, directamente do frigorífico debaixo do balcão. Como todos sabemos, o pastel de nata servido bem frio é típico de Benavente.

24 August 2009

My twilight zone moment

A visita a uma pequena mercearia e loja de medicamentos naturais e tradicionais chineses, na cidade canadiana de Vancouver, pode ser uma experiência quase surreal. Sobretudo, se estiver à procura de uns doces regionais para oferecer à família.

My twilight zone moment

Os Estados Unidos são um país tão rico que se dão ao luxo de reservar toda uma estação de comboios, entre pessoal, linhas e terminais de embarque, para um único comboio durante horas. Temos a fila para comprar o bilhete, a fila para o check-in, a fila para entrar na carruagem. O pessoal para vender o bilhete, validar o bilhete e colocar uns escadotes para se subir a cada carruagem. E um único comboio ali, uma boa hora e meia parado na linha, sem que outro lhe faça companhia, à espera de fazer a viagem entre Seattle e Portland.

Ninguém me tira da cabeça que isto é coisa de país rico. Para cada comboio, têm uma estação. O Canadá também é um país rico e, a provar a regra, vai pelo mesmo caminho. Não há outra explicação. Linhas de comboios reduzidas e pouco eficientes, como alguns dizem, é para países como a Nigéria.

My twilight zone moment

Um mês de Agosto americano pode ser enganador. Se viaja de comboio, leve consigo aquela camisola de lã bem grossa a que a sua avó lhe deu pelos anos. Tenho observado por aqui, seja no comboio, seja durante as aulas, uma tendência para, mesmo em dias nublados e nada quentes, ter o ar condicionado regulado para uma temperatura inferior ao exterior. Às tantas, alguma demonstração de uma qualquer empresa da capacidade do seu sistema de ar condicionado em manter uma carruagem abaixo dos 20 graus de temperatura durante quatro horas de viagem. Pois bem: não tenham dúvidas que aquilo funciona.

20 August 2009

My twilight zone moment

Esta tarde num passeio pela downtown, recebi um folheto de propaganda política. A discussão política acerca da reforma do sistema de saúde americano pelo presidente Barack Obama é intensa.

Com estes argumentos sólidos dificilmente Obama se safa com a sua retórica vazia. Não fosse este folheto e teria sido enganado por uma medida que em tudo aparentava ser sensata mas que não era mais que um primeiro passo para transformar a América que conhecemos num estado fascista. Por outras palavras, uma ditadura como aquelas que Bush condenava. Apenas fiquei com uma dúvida: se para uns, as reformas de Obama são comunistas e para outros estas são fascistas, estaremos a falar das mesmas reformas e da mesma pessoa?

19 August 2009

My twilight zone moment

Esta tarde, na Burnside Avenue, tive uma espécie de encontro imediato com a versão motard do Pai Natal. Consta que as renas não eram suficientemente potentes.

14 August 2009

My twilight zone moment

Numa das paragens com miradouro com vista para o rio Columbia, encontrámos um casal americano que tinha visitado Portugal e Espanha de carro. E, para surpresa, quando perguntamos o que acharam aqui da terra do destacamento português, não é que acabamos a ouvir que não gostaram nada do país e os portugueses são os piores condutores do mundo. Piores que na Nigéria, acrescentou o velhote americano com um sorriso. Suponho que faz parte da frontalidade americana. Um qualquer português teria inventado uma tanga sobre como adorou o país e a simpatia das pessoas...

My twilight zone moment

Partilho a casa com três pessoas. Um italiano, da região da Calábria, que está a fazer um estágio de investigação no hospital. Muito simpático. Um americano que é engenheiro na companhia de televisão por cabo. Muito cool. E um terceiro americano que possui todos os critérios de diagnóstico para personalidade desviante. Desisti de tentar compreender a personagem.

Começo mesmo a achar que entre nós temos um extraterrestre que ocupa o corpo de um jovem de 26 anos com óculos e algum sinal de calvice. Nem vou falar do estranho que é comer o seu jantar no quarto - ou, pelo menos, finge comer, se calhar deita fora esta comida terrestre altamente tóxica para os do seu planeta - ou ter uma segunda fechadura, com chave, no quarto. Nem vou falar da sua capacidade monossilábica para cumprimentos matinais - começo a pensar que o meu vocabulário inglês é mais rico que o dele. Nem vou falar de ter a filha no quarto, ainda não percebi se todos os dias ou num qualquer regime ordenado pelo tribunal. Não vou falar, mas achei por bem listar para terem uma ideia do meu vizinho da frente.

Hoje à tarde, estava na cozinha a debicar umas bolachas com leite e ele chega com compras. Ao meu hi there ele responde com um seco hi. Murmura qualquer coisa que, começo a achar, talvez tenha sido um suspiro de saudades do seu planeta mas que julguei ser um how are you. Erro brutal. Ensaiei uma espécie de conversa, muito inspirado pelo filme Encontros Imediatos de Terceiro Grau, e disse oh, we went to the water falls around Portland. Quando ouves um what? como resposta sabes que devias ter ficado calado. Mas é melhor apenas fazeres-te de ingénuo e dizer ah, you know, we went to the water falls around Portland, really nice para logo receber o seco ah... ok. Desisto. Feitas as contas, existem duas pessoas na casa com que posso ter uma conversa.

[para a família, leiam isto sobretudo como o texto humorístico que pretende ser. no worries.]

10 August 2009

My twilight zone moment

Pode ser um problema do meu dicionário de bolso, mas parece que aqui a palavra peixaria é um eufenismo para uma bancada num canto do supermercado com um par sapateiras, uma mão de camarões cozidos, meia dúzia de filetes de salmão limpos e duas postas de bacalhau fresco.

My twilight zone moment

Depois de várias idas a vários supermercados confirmam-se os avisos que alguns amigos me tinham deixado: aqui, legumes e frutas são por norma mais caros. Pior: são também de qualidade inferior. Duas verdades, não há dúvida. Agora, também é verdade que o termo de comparação complica toda esta história. A fruta portuguesa é muito boa e a italiana não lhe fica atrás. Tivesse eu como referência a laranja espanhola - de casca rija e aspecto novo, mas sem graça, sem sumo, sem doce - e talvez pensasse que a fruta americana era muito boa.

A uva americana não é naturalmente doce. A uva americana não tem, como qualquer outra, sementes e manchas. A uva americana é geneticamente modificada. Sem sementes. Limpa. Quase clonada. Fica claro que o americano comum não quer uma fruta natural. Mas, fica a questão, o americano comum quer de todo fruta?


Como me dizia um velhote americano, esqueça isso da fruta orgânica, ela tem o mesmo valor nutricional - e, digamos, aqui o mais espantoso é mesmo ouvir um velhote dos seus 70 anos a falar em valor nutricional.

Foto: Google Images