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06 October 2009

Viagem pelo deserto

Aquela imagem clássica da Route 66 e dos caminhos e estradas pelos desertos dos Estados Unidos fascinava-me. Gostava de fazer uma viagem dessas, devem-me ter ouvido algumas vezes.

Pois bem, neste fim-de-semana, ao alugarmos um carro em Las Vegas, eu e o José cumprimos dois sonhos antigos: ele viu o Grande Canyon, eu fiz a tal viagem. Uma viagem de 800 quilómetros que atravessou os estados do Nevada, Utah e Arizona. Uma viagem que mostrou que os Estados Unidos são mais que um grande país. São um país grande. Um país onde numa única viagem vemos deserto e floresta, temos frio e calor, temos planícies sem alma, pequenas vilas sulistas, montanhas e o Grande Canyon. Cabe tudo num adjectivo: espantoso.

29 September 2009

Impressões de Boston

Eu juro que não era para ser tradição mas o relato da viagem a Boston ficará para uma outra altura, assim como os de Los Angels e Washington DC. Durante esta semana entre aulas, investigação e um outro projecto sobrará pouco tempo.

Por agora, apenas para dizer que parti para Boston com expectativas altas. A cidade dos Kennedy. A cidade de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology. O berço da nação americana.

Boston foi muito mais que isso. Muito mais que um bom fim-de-semana fora de Portland. Uma cidade que nos consegue transportar com as suas ruas para pleno século XVIII, para os tempos da revolução americana e, anos mais tarde, para os fluxos emigrantes de irlandeses e italianos. Uma cidade que nos relembra que ali se constrói muito do saber e conhecimento de uma nação. Uma cidade que nos mostra a sua força económica e política quando abandonamos as ruas e ruelas e olhamos para o céu e vemos os altos e modernos prédios da skyline. Uma cidade que sintetiza muito bem as adversidades e as diversidades que construíram os Estados Unidos.

Se pensamos que os Estados Unidos, porque são recentes, não têm história nem essa história é feita de grandes feitos e grandes figuras, estamos enganados: Boston está ali para nos elucidar.

21 September 2009

Impressões sobre Washington DC

Como aconteceu com as novidades da viagem por Los Angels, as de Washington DC irão esperar uns dias devido ao trabalho.
Deixo contudo uma rápida nota sobre esta cidade que tanto me maravilhou: se o mundo tem uma capital, essa capital é, provavelmente, Washington DC; se Washington DC é essa provável capital, então, o mundo tem uma bela capital.

15 September 2009

Viagens e trabalho

As novidades da viagem de fim-de-semana por Los Angels vão esperar uns dias. Para já, voltei ao trabalho à tese e nas tarefas daqui da universidade aproveitando estes dias que vou estar por Portland antes da viagem a Washington DC.

10 September 2009

Se calhar a Manuel Moura Guedes entrava no elenco...

O programa de televisão a que íamos assistir foi cancelado.

08 September 2009

Pedro no mundo da televisão?

Com o TV Tickets (ver aqui a página) podemos obter a custo zero bilhetes para assistir à gravação de séries e programas americanos na região de Los Angels. Pois bem, já estão a ver onde eles arranjam aquele riso de pacotilha para o Seinfeld.
Por duas semanas que não pude assistir ao Dr. Phil. Seria uma experiência surreal para um licenciado em psicologia - afinal, este senhor está para a psicologia como Kim Jong-il para os valores da liberdade de expressão.

Acabámos por ficar com bilhetes para uma sitcom que acompanha o dia-a-dia de um antigo jogador de futebol americano que se tem que adaptar à vida familiar depois de anos de sucesso desportivo. E este é o protagonista...


Foto: Google Images

06 September 2009

Oregon State Fair

A Oregon State Fair é um grande evento e este ano em especial: o Oregon comemora 150 anos desde que se tornou o 33º estado dos Estados Unidos. Aqui mostra-se o melhor que se produz, o que a economia do estado oferece, o que as organizações defendem como projectos. A feira coincide com Labour Day, o dia do trabalhador que aqui se comemora em Setembro e é mais um evento social que político.

Mas porquê em Salem? Ao que parece Salem, mesmo sendo uma cidade mais pequena que Portland, é a capital do estado. Não é algo incomum - o mesmo se passa, por exemplo, com Seattle no estado de Washington, Chicago no Illinois ou Detroit no Michigan.

A feira pode em algumas coisas lembrar a Ovibeja ou a Feira de São Mateus mas fica-se por aí. A american way of life é diferente da portuguese one e isso nota-se.

Temos os inevitáveis legumes gigantes e o gado pujante. Bom gado e bons cavalos já tinha visto, mas coelhos do tamanho de um cão nunca. A filosofia super size menu está por toda a parte: seja nos prémios nas barracas de jogos - em que um miúdo pode subitamente ver-se a braços com um peluche de uma banana do tamanho de uma cama -, seja nas doses na área dos restaurantes - onde facilmente vemos uma pessoa dar conta de uma gigante perna de peru ou dos espantosos e calóricos monster fry bricks, autenticos tijolos de batatas fritas.

Por sugestão do Philip, provei um corn dog, uma salsicha panada que é muito saborosa. Porque a desgraça já estava no caminho, provei uma elephant ear, uma espécie de fartura que, como o nome diz, tem a forma de orelha de elefante e vem acompanhada do inevitável açúcar e canela. Os vendedores portugueses que me perdoem, mas nunca vi estas maravilhas à venda na Feira de São Mateus...









Pedro no curioso mundo dos rodeos

Os Estados Unidos têm esta característica extraordinária de nos oferecerem sempre surpresas. E de terem pessoas surpreendentes. Na semana passada, um jovem casal americano, que conhecia há escassas horas, desafiou-me espontaneamente a ir com eles ver um rodeo.

Foi uma boa oportunidade para fotos, como me antecipou o Philip - e tinha razão. Só posso voltar a agradecer ao Philip e à Susannah pela oportunidade de os acompanhar a eles e aos seus dois filhos nesta viagem. Foi uma grande experiência!

Ver um rodeo nesta parte dos Estados Unidos foi, no mínimo, inesperado. Ora, temos esta tendência para imaginar que os Estados Unidos são uma cópia do Texas de norte a sul e oeste a este, ora pensamos que estas coisas só se passam no sul - nos desertos dos filmes de cowboys. As aparências enganam: com uma área igual ao nosso Portugal mas apenas 3 milhões de habitantes, um terço a viver aqui em Portland, o estado do Oregon é sobretudo natureza, florestas, campos agrículas e de pastagem. Neste país, onde tivermos gado, podemos esperar encontrar os tais cowboys...

Foi uma das coisas mais espantosas que vi neste mês que levo nos Estados Unidos. Os americanos sabem o que fazem. Um rodeo é quase uma forma de arte. No fim de contas, esta é uma das suas tradições mais genuínas.

O público responde sofre com a tensão e vibra com vitórias. Vê-se que gostam do que vêem. E vê-se que os que participam no rodeo gostam do que fazem. Os cavalos selvagens que não querem ser montados não querem ser montados. Os cowboys que saltam da montada para atirar por terra os vitelos saltam com força. Os cowboys que disparam com precisão são certeiros. E os que mostram truques com os laços fazem arte.

Ali joga-se muito. A imagem de um homem como homem. A imagem de um negócio. A imagem de uma tradição. Meses de trabalho. Não pude deixar de notar que ao fundo da arena, longe dos olhares do público que observa mais uma exibição, um grupo de amigos ou irmãos se ajoelhava em círculo e rezava antes que um deles montar um cavalo selvagem. É isso que trago dali: aquilo é algo autêntico.





25 August 2009

My twilight zone moment

Existe um certo estereótipo do canadiano como um americano que não tem seguro médico privado e fala francês. Ora, eu não encontrei nenhum em Vancouver que falasse com outras pessoas em francês. Se bem que, às tantas, quando chegam a casa, depois de um dia de trabalho na opressora sociedade urbana anglófona, essa pobre gente solta um je suis fatigué...

Vancouver em imagens

No geral, a cidade de Vancouver, mesmo sendo canadiana, não se diferencia muito de outras cidades americanas. Talvez pela proximidade com os Estados Unidos. Como me dizia o Bert, um dos meus colegas de casa americanos, no Quebec a diferença é provavelmente maior. A sua downtown é moderna. A variedade de restaurantes internacionais, sobretudo na comida asiática, é impressionante e envergonha Portland.

Vancouver é a terceira maior cidade do Canadá, a capital da British Columbia. Uma cidade com 2 milhões de habitantes num país que se fica pelos 30 milhões de habitantes - contra os 300 milhões de norte-americanos ali em baixo num país pouco maior. O mais impressionante é talvez a English Bay com a sua marinha, os seus prédios altos, jardins de relva de verdo vivo e as belas linhas do Vancouver Convention Center. Tudo isto apimentado por um dia de sol.






My twilight zone moment

No dia anterior, no autocarro a caminho de Vancouver, uma americana de Seattle tinha-nos dado algumas dicas de locais para visitar na cidade. Uma, em particular, tinha-me chamado a atenção: na Comercial Drive existiam alguns cafés portugueses. No dia seguinte, lá estávamos na tal rua comigo a prometer ao José um típico pastel de nata - que ele nunca tinha provado.

No entanto, de português o tal Joe's Bar teria pouco mais que a bandeira nacional no toldo. Eu na minha inocência esperava entrar num pequeno micro cosmos português onde qualquer emigrante de Vouzela ou Cabeceiras de Bastos se sentiria em casa. Um sítio onde o português, depois de um dia de trabalho, poderia descansar e beber um fino, trincar uns tremoços e trocar uns dedos de conversa sobre o seu Benfica e rir-se das piadas dos Malucos do Riso. Por outras palavras, um lugar muito parecido com a Assembleia da República.

Conselho: se vir algum café português no Canadá anunciando como especialidade o seu capuccino - que como todos sabemos, é típico da zona de Pombal -, suspeite. É bem capaz de encontrar, como eu encontrei, um empregado chinês, cartazes anunciando touradas em Madrid e um dono que fala espanhol com a cliantela hispânica. Sobrou o pastel de nata. Servido bem frio, directamente do frigorífico debaixo do balcão. Como todos sabemos, o pastel de nata servido bem frio é típico de Benavente.

Seattle em imagens (1)

Em Seattle o guia de viagens sugere uma visita à Space Needle. A viagem custa os seus 16 dólares e leva-nos a uns escassos andares acima do solo. Uma alternativa menos conhecida, mas que nos oferece uma vista muito melhor, é o Columbia Center, o edifício mais alto da cidade. O miradouro oferece uma vista panorâmica sobre a cidade, entre a sua downtown, o porto, o aeroporto ou a water front. Tudo a partir do 73º andar deste edifício. Tudo por apenas três dólares, desconto de estudante. O edifício é impressionante: completado em 1985, trabalham nele diariamente 5 mil pessoas e o seu último andar eleva-se 328 metros acima do nível do mar - oferecendo indiscutivelmente a melhor vista sobre Seattle.





24 August 2009

Apontamentos de Seattle

Na quinta-feira à tarde lá estávamos, eu e o José, na estação de comboios de Portland prontos para a nossa primeira viagem. A primeira viagem de comboio na América. A primeira viagem para fora do estado do Oregon , com direito a passar a fronteira do Canadá.

Os comboios nos Estados Unidos não são, regra geral, muito populares. Poucas linhas. Poucas ligações. Pouco pontuais. Pouco económicos. Pouco práticos. Da nossa experiência percemos que os comboios não funcionam tão bem como na Europa - desde logo, porque existem menos linhas e porque o processo de embarque é mais demorado e complicado. Mas as carruagens são confortáveis, a viagem directa e o preço final bastante atractivo. Ida e volta de Vancouver, com comboio para Seattle e ligação entre as duas cidades com autocarro, ficou em 60 euros. Falamos de 500 quilómetros para lá e outros tantos no regresso. Arrisco mesmo a dizer que foi barato.

Chegados a Seattle, depois de quatro horas de viagem, apercebemo-nos que a cidade é mais pequena do que esperávamos. A downtown faz-se muito bem a pé. Entre a estação e o Pipe Market, contámos pouco mais de 30 minutos a caminhar. As ruas lembram um pouco São Francisco com as transversais a prolongarem-se por vários níveis. Seattle não é uma cidade plana mas faz-se bem.

A pousada da juventude onde ficámos, a Green Tortoise Seattle Hostel, estava literalmente a quatro passadas do Pipe Market. Saindo da porta da pousada, avistava-se logo a entrada do conhecido mercado de Seattle, uma zona onde nasceu o primeiro Starbucks nos anos de 1970. Muito barato e muito limpo, mesmo muito limpo, eu não esperava um alojamento tão bom na nossa noite em Seattle. Os quartos tinham boliches individuais com direito a cortina e ventoinha e a cacifo individual debaixo de cada par de boliches.

O passeio pela downtown, entre a Space Needle e a zona da Pioneers Square, faz-se numa manhã com direito a algumas pausas para fotografias. Com autocarro para Vancouver pelas cinco horas, concluímos que, para uma viagem de mochila, Seattle se faz num dia. Se quisermos visitar os museus - como a cidade subterrânea, o aquário, a linha de montagem do fabricante aeronáutico Boeing ou o Experience Music Project/Science Fiction Museum & Hall of Fame desenhado por Frank Gehry - precisaríamos talvez de mais dia e meio.

Chinatown em imagens

A Chinatown de Vancouver é, lá dizem os guias, a terceira maior do norte do continente americano, a seguir às de Nova Iorque e Los Angels. Compará-la com a que aqui temos em Portland é um exercício inútil. A nossa praticamente não tem lojas chinesas. A outra tem as lojas, os restaurantes, os sinais, os habitantes. Ali parece viver um importante núcleo da comunidade asiática. As lojas dividem-se entre um pouco de tudo, a começar pelas que vendem as mais estranhas substâncias para a medicina tradicional chinesa.
O jardim tradicional, mesmo pequeno, vale alguns minutos de visita, sobretudo pelo contraste da sua arquitectura tradicional com os prédios altos da downtown da cidade canadiana que surgem ao fundo. Um ponto obrigatório numa visita a Vancouver.





Seattle em imagens (2)

Mais algumas imagens do passeio pelas ruas de Seattle, incluindo dos pontos mais turísticos como a Space Needle e o Experience Music Project/Science Fiction Museum & Hall of Fame.






My twilight zone moment

A visita a uma pequena mercearia e loja de medicamentos naturais e tradicionais chineses, na cidade canadiana de Vancouver, pode ser uma experiência quase surreal. Sobretudo, se estiver à procura de uns doces regionais para oferecer à família.

O meu carro canadiano

Este Hummer americano saído de um qualquer filme com o Stallone ou o Schwarzenegger podia muito bem ser o meu carro de passeio pelo Canadá. Mas o seu dono esqueceu-se de deixar a chave na ignição. Dizem que o Canadá é mais seguro que os Estados Unidos mas aqui não deixam as janelas dos carros abertos. Feitas as contas, fiquei-me pela fotografia e o passeio pela cidade a pé.

Sem qualquer receio da gripe

Sem medo da gripe dos porcos, e como qualquer bom cowboy americano, dominei este irado porco no Pipe Market de Seattle. Pode não parecer, mas dominar um animal destes não é para qualquer um. Meninos, não tentem isto em casa.

23 August 2009

Impressões sobre os comboios americanos

Os comboios americanos não são baratos nem as linhas numerosas. O país é grande, e nesta parte relativamente plano, mas a maioria das viagens fazem-se por ar mesmo que as companhias low-cost estejam longe de ter o sucesso que têm na Europa.

Mas, ao mesmo tempo, os comboios americanos são confortáveis, espaçosos e, nalgumas viagens, podemos mesmo ter um filme para assistir como num qualquer voo de uma companhia aérea. São servidas refeições a bordo para quem pedir e existem revistas para ler. A viagem é tranquila e segura. As paragens avisadas com antecedência. E ainda há espaço para alguns detalhes mais pessoais: cada responsável de uma secção - seja o condutor, o revisor ou a responsável do bar - a par dos anúncios relativos às suas funções vai fazendo comentários a cada destino. E assim tivemos a pessoa encarregue pelo bar a anunciar a paragem em Portland, acrescentando um humorado my personal favourite.

Foto: Google Images

20 August 2009

Imprevistos

Para Pittsburgh existem voos de Portland com escala em Nova Iorque. Mas, no regresso, estranhamente não existe qualquer oferta de voos, seja naquele fim-de-semana seja ao longo de Setembro ou Outubro. Fica por saber o que acontece ao avião.

Feitas as contas, a ida à Falling Water ficará para outros voos. Imprevistos acontecem. Vamos para a frente: sugestões de alternativas para voos?