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06 September 2009

Oregon State Fair

A Oregon State Fair é um grande evento e este ano em especial: o Oregon comemora 150 anos desde que se tornou o 33º estado dos Estados Unidos. Aqui mostra-se o melhor que se produz, o que a economia do estado oferece, o que as organizações defendem como projectos. A feira coincide com Labour Day, o dia do trabalhador que aqui se comemora em Setembro e é mais um evento social que político.

Mas porquê em Salem? Ao que parece Salem, mesmo sendo uma cidade mais pequena que Portland, é a capital do estado. Não é algo incomum - o mesmo se passa, por exemplo, com Seattle no estado de Washington, Chicago no Illinois ou Detroit no Michigan.

A feira pode em algumas coisas lembrar a Ovibeja ou a Feira de São Mateus mas fica-se por aí. A american way of life é diferente da portuguese one e isso nota-se.

Temos os inevitáveis legumes gigantes e o gado pujante. Bom gado e bons cavalos já tinha visto, mas coelhos do tamanho de um cão nunca. A filosofia super size menu está por toda a parte: seja nos prémios nas barracas de jogos - em que um miúdo pode subitamente ver-se a braços com um peluche de uma banana do tamanho de uma cama -, seja nas doses na área dos restaurantes - onde facilmente vemos uma pessoa dar conta de uma gigante perna de peru ou dos espantosos e calóricos monster fry bricks, autenticos tijolos de batatas fritas.

Por sugestão do Philip, provei um corn dog, uma salsicha panada que é muito saborosa. Porque a desgraça já estava no caminho, provei uma elephant ear, uma espécie de fartura que, como o nome diz, tem a forma de orelha de elefante e vem acompanhada do inevitável açúcar e canela. Os vendedores portugueses que me perdoem, mas nunca vi estas maravilhas à venda na Feira de São Mateus...









Pedro no curioso mundo dos rodeos

Os Estados Unidos têm esta característica extraordinária de nos oferecerem sempre surpresas. E de terem pessoas surpreendentes. Na semana passada, um jovem casal americano, que conhecia há escassas horas, desafiou-me espontaneamente a ir com eles ver um rodeo.

Foi uma boa oportunidade para fotos, como me antecipou o Philip - e tinha razão. Só posso voltar a agradecer ao Philip e à Susannah pela oportunidade de os acompanhar a eles e aos seus dois filhos nesta viagem. Foi uma grande experiência!

Ver um rodeo nesta parte dos Estados Unidos foi, no mínimo, inesperado. Ora, temos esta tendência para imaginar que os Estados Unidos são uma cópia do Texas de norte a sul e oeste a este, ora pensamos que estas coisas só se passam no sul - nos desertos dos filmes de cowboys. As aparências enganam: com uma área igual ao nosso Portugal mas apenas 3 milhões de habitantes, um terço a viver aqui em Portland, o estado do Oregon é sobretudo natureza, florestas, campos agrículas e de pastagem. Neste país, onde tivermos gado, podemos esperar encontrar os tais cowboys...

Foi uma das coisas mais espantosas que vi neste mês que levo nos Estados Unidos. Os americanos sabem o que fazem. Um rodeo é quase uma forma de arte. No fim de contas, esta é uma das suas tradições mais genuínas.

O público responde sofre com a tensão e vibra com vitórias. Vê-se que gostam do que vêem. E vê-se que os que participam no rodeo gostam do que fazem. Os cavalos selvagens que não querem ser montados não querem ser montados. Os cowboys que saltam da montada para atirar por terra os vitelos saltam com força. Os cowboys que disparam com precisão são certeiros. E os que mostram truques com os laços fazem arte.

Ali joga-se muito. A imagem de um homem como homem. A imagem de um negócio. A imagem de uma tradição. Meses de trabalho. Não pude deixar de notar que ao fundo da arena, longe dos olhares do público que observa mais uma exibição, um grupo de amigos ou irmãos se ajoelhava em círculo e rezava antes que um deles montar um cavalo selvagem. É isso que trago dali: aquilo é algo autêntico.