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11 July 2011

Coisas que não compreendo neste país

A Suíça era, já há alguns anos, o meu wishful country e o mês que levo aqui tem mostrado que existem boas razões para o ser. Mas, claro, também existem coisas que não compreendo.

Falo, por exemplo, da insistência do comércio suíço encerrar às seis da tarde e aos fins-de-semana estar apenas aberto aos sábados no mesmo horário. Falo do tempo que num dia tem trovoada e chuva e catorze graus de temperatura e logo no seguinte tem céu limpo, sol e vinte e quatro graus.


Falo dos casais que têm que inscrever os filhos nas creches ainda antes destes nascerem. Falo de um copo de bom vinho custar metade do que um copo de uma boa cerveja. Falo de uma casa em Genebra, por mais simples que seja, custar um milhão ou dois milhões de francos.

Falo do governo federal que aqui é, na verdade, um colégio sem primeiro-ministro e com ministros de partidos diferentes. Falo do partido mais votado que assenta o seu pensamento político num discurso xenofóbico que faz do PNR uma espécie de partido centrista pró-imigração. Ainda assim, ou talvez também por isso, estou maravilhado com este país. 

Pedro

15 August 2009

As minhas impressões sobre o American Dream

O meu orientador de investigação, um estudante de doutoramento nos seus 25 anos, a certa parte da conversa diz que este fim-de-semana vai ver a mulher. Um outro professor de 30 anos casou-se há algumas semanas e já vive numa casa que, pelo que conta, é uma mansão. E, observa, enquanto lhe falamos do mercado de trabalho europeu, menos de 50 mil dólares ao ano para a nossa profissão é pouco. A juventude na América não é sinónimo de incertezas, mesmo com a crise em vista. A dependência dos jovens europeus, que sem grandes alternativas adiam a saída de casa até aos 30 anos, espanta-os. Sim, o american dream é mesmo verdade: aqui sonha-se com casa e família desde muito cedo, contam as pessoas pouco mais de 20 anos.

Mas aqui existe a expectativa de se atingir o topo da carreira académica aos 36 anos, como nos diziam há dias. Mas aqui um doutorado pode trabalhar na faculdade, numa empresa de consultoria e aspirar a um emprego bem pago. E conseguir encontrá-lo. Em Portugal, e mesmo em muitos países europeus, as perspectivas são menos sorridentes. Temos mais incertezas. Temos menos poder de compra, mesmo com uma moeda mais forte.

Será este o preço que nós, europeus, pagamos por um sistema de educação, desde a básica à superior, e de sáude que funcionam e são gratuitos e universais? Última nota: nenhum país é perfeito, nenhum país nos oferece tudo.

21 March 2009

Orgulho

Como estudante da universidade de Coimbra, que frequento há três anos, nunca senti uma ponta de orgulho por estar numa das universidades maiores da história ocidental. Oitecentos anos de história. Nada. Um facto. Um número. Bologna é a segunda universidade mais antiga do mundo, apenas precedida da de Fez, em Marrocos. Fundada em 1088. Um facto. Um número.

Mas hoje posso dizer que me senti verdadeiramente orgulhoso de estudar na universidade de Bologna e, futuramente, ter um mestrado pela mesma. Não pela sua idade. Não pelo seu reconhecimento internacional. Não pela cidade onde está. Mas pelo que aconteceu aqui. Enquanto em Paris se fechava entre nobres e clero, ensinando a uns filosofia e a outros teologia, como os professores queriam e apenas assim, Bologna abria-se ao mundo. Ensinando ciências, leis, medicina e o que os alunos entedessem ser necessário. Uma universidade pública, aberta a todos os que a pudessem pagar, independentemente do género, religião ou crenças. Uma univeridade onde na Idade Média ensinavam professores judeus, muçulmanos e até mulheres. Bastava ser-se talentoso. Bastava merecer-se. Tudo em nomes dos alunos. E eu só me posso orgulhar de estudar numa universidade com tal História...