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03 August 2009

Sorte em dose dupla

Ao chegar a Newark tinha umas calças de gangas que bem poderiam passar por um camuflado depois dos salpicos de uma salada que uma hospedeira deixou cair no lugar mesmo na minha frente. Nem aquela mantinha simpática me salvou. Grande azar e um ou dois palavrões vieram-me à boca enquanto tentava limpar aquilo na acanhada casa-de-banho do avião.

Agora, tive tudo menos um dia azarado. Tivesse eu ido para La Guardia e não para o aeroporto de Newark e não teria chegado a Portland nessa noite. Alguém achou por bem ir passear-se para La Guardia com uma imitação de bomba e o aeroporto foi evacuado. Não era caso para menos. Mas deixava de lado qualquer hipótese de chegar a Portland a tempo e horas.

Ainda consegui mais um exemplo, houvessem dúvidas. Indo eu à janela na viagem de Newark a Portland estaria como que "encurralado" umas sete horas na ponta daquela fila. Mas uma família lá começou a protestar que queriam viajar os três juntos e tinham bilhetes juntos e lá me ofereci para trocar e assim voltei a ter um lugar na coxia. As minhas pernas agradeceram. Mesmo que quando as esticasse lá visse as manchas do molho de vinagrete...

02 August 2009

Um café americano

Em Newark esperavam-me sete horas. A rede wireless era fraca para usar um eufenismo. Eu já ia mais ou menos preparado por pessoas que haviam feito escala em Newark para não ter internet. O meu problema era mais como me manter acordado sete horas, sem adormecer, sem ter dormido assim tanto no primeiro voo. Encontrei um Starbucks no terminal, todo ele enorme, todo ele cheio das mais variadas lojas, todo ele americano.

Ia pedir um Espresso italiano, algo com um sabor familiar, mas o preço assutou-me. Correcção: no Starbucks qualquer preço assusta. Fiquei-me pelo café americano. O tal de que o Sarvesh se queixava. O meu primeiro café americano ficou-me a 2 dólares um copo médio, bem grande. Correcção: 2 dólares e 14 cêntimos que eles só somam o imposto depois. Soubesse isto e ia para o pequeno, pensei.

Pouco forte, pouco saboroso. O Sarvesh tinha razão. Felizmente lá havia a habitual mesa com os açúcares, leite, natas e baunilha e lá estive uns minutos a tentar melhorar um pouco aquela água escura. Posto isto, tempo de me sentar e apreciar o café e uma água fresca e ler um número da Economist. Primeiro momento americano. Soube bem e ajudou a passar o tempo até ao avião.

Foto: Google Images

Será New York ali em baixo?

Escassos minutos para a aterragem. As duas americanas ao meu lado, que vestiam cada uma camisola do Barcelona, debruçam-se sobre a janela. Alguns campos e subúrbios. Viro a cabeça para o outro lado. Fábricas. Armazéns. Linhas de comboios. Uma zona industrial. Mas ao fundo, um rio. E prédios a nascerem. Numa ilha. Seria New York? Uma ilha tão pequena. Sem qualquer arrogância. Uma cidade de prédios que, ali de cima, pareciam quase frágeis. Umas miniaturas. E poucos segundos depois, a Estátua da Liberdade, verdadeiramente pequena. Sim, era New York.

Rapaz, não é porque a gripe seja grave...

Uma das primeiras coisas que vi no aeroporto foi um distribuidor de uma loção desinfectante para as mãos. Uma espécie de espuma com um cheiro forte a álcool no início mas que acaba a ser refrescante e perfumado depois de esfregar as mãos. Uma espécie de aviso quase silencioso que a gripe A anda por aí. E, sem alaridos, quase todos lá iam esfregando as mãos. Curiosamente aqui na universidade, encontrei depois de uns dias, vários destes distribuidores que parecem estar aqui há já algum tempo. Fica a dúvida o que veio primeiro, um pouco como o ovo e a galinha: a gripe ou a loção para combater a gripe?

Com New York ao fundo

Chegado ao Estados Unidos esperava-me uma enorme sala dos serviços de fronteiras para verificação do passaporte e documentação. O aeroporto de Newark, a alguns quilómetros de New York, permite avistar ao fundo o sky line de Manhattan. Não há dúvidas: o Empire State Building é agora o edifício mais imponente. Mas a esta distância parece uma cidade miniatura. Lembrete no caderno: a ver de perto.