Escassos minutos para a aterragem. As duas americanas ao meu lado, que vestiam cada uma camisola do Barcelona, debruçam-se sobre a janela. Alguns campos e subúrbios. Viro a cabeça para o outro lado. Fábricas. Armazéns. Linhas de comboios. Uma zona industrial. Mas ao fundo, um rio. E prédios a nascerem. Numa ilha. Seria New York? Uma ilha tão pequena. Sem qualquer arrogância. Uma cidade de prédios que, ali de cima, pareciam quase frágeis. Umas miniaturas. E poucos segundos depois, a Estátua da Liberdade, verdadeiramente pequena. Sim, era New York.
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02 August 2009
Com New York ao fundo
Chegado ao Estados Unidos esperava-me uma enorme sala dos serviços de fronteiras para verificação do passaporte e documentação. O aeroporto de Newark, a alguns quilómetros de New York, permite avistar ao fundo o sky line de Manhattan. Não há dúvidas: o Empire State Building é agora o edifício mais imponente. Mas a esta distância parece uma cidade miniatura. Lembrete no caderno: a ver de perto.
O país em forma do rectângulo?
Normalmente recomenda-se esticar as pernas num voo intercontinental por questões de sáude, mas a verdade é que podem haver outras. Como no meu caso, por uma feliz coincidência, numa dessas idas à casa-de-banho lá no fim do corredor - mais uma desculpa barata para dar algum exercício às pernas. Quando passo pela janela avisto terra. Como íamos a meio da viagem não podia já ser território americano e no meio do Atlântico uma ilha provavelmente faz parte dos Açores. Informação logo confirmada, uns minutos depois, pelo piloto: we are flying over Azores.
Aqui percebe-se o quão é limitado pensar em Portugal como um rectângulo de terra, aquele cantinho da Península Ibérica. Como é limitado pensar que Portugal não é um país de mar. Um país grande. Um país que de Lisboa a esta ponta do território, o arquipélago dos Açores, leva quase três horas de voo sobre o mar. Ainda fiquei a pensar alguns minutos nisto.
Aqui percebe-se o quão é limitado pensar em Portugal como um rectângulo de terra, aquele cantinho da Península Ibérica. Como é limitado pensar que Portugal não é um país de mar. Um país grande. Um país que de Lisboa a esta ponta do território, o arquipélago dos Açores, leva quase três horas de voo sobre o mar. Ainda fiquei a pensar alguns minutos nisto.
Voo CO 65 para Newark
As pouco mais de três semanas em Portugal passaram, como já era esperado, muito rápido. No sábado de manhã lá estava de novo no aeroporto de Lisboa a olhar para a tabela de partidas. Verifiquei as horas do meu voo para Newark. Verifiquei o bilhete digital. Confirmava-se: um voo de cerca de sete horas a que se seguia uma escala neste aeroporto de New York por mais sete horas e um voo de cerca de cinco horas até Portland, estado do Oregon.
O meu primeiro voo intercontinental. O avião, um Boeing 777 da Continental Airlines, podia não tinha as impressionantes três filas que vemos nos filmes, mas ganhava no conforto. Esperava muito menos. O lugar era espaçoso, confortável, ficha para computador, almofada e manta e com um ecrã individual onde podia seleccionar entre 40 filmes, algumas das mais recentes séries, ouvir música a gosto ou explorar alguns jogos. Na falta de um livro, sono ou outra distracção, todos tinham com que se entreter. No que me toca vi o Diabo Veste Prada - bastante bom, ainda que sem nada de inesperado depois de ver o trailler, está quase tudo lá -, um pouco de Harry Potter e a Ordem de Fénix e revi algumas partes do Parque Jurássico e Encontros Imediatos de Terceiro Grau. E dormi. E comi. E pensei no que me esperava. E as setes horas passaram sem qualquer custo.
O meu primeiro voo intercontinental. O avião, um Boeing 777 da Continental Airlines, podia não tinha as impressionantes três filas que vemos nos filmes, mas ganhava no conforto. Esperava muito menos. O lugar era espaçoso, confortável, ficha para computador, almofada e manta e com um ecrã individual onde podia seleccionar entre 40 filmes, algumas das mais recentes séries, ouvir música a gosto ou explorar alguns jogos. Na falta de um livro, sono ou outra distracção, todos tinham com que se entreter. No que me toca vi o Diabo Veste Prada - bastante bom, ainda que sem nada de inesperado depois de ver o trailler, está quase tudo lá -, um pouco de Harry Potter e a Ordem de Fénix e revi algumas partes do Parque Jurássico e Encontros Imediatos de Terceiro Grau. E dormi. E comi. E pensei no que me esperava. E as setes horas passaram sem qualquer custo. Claro que ajudou estar na coxia , claro que ajudou ir-me levantando de vez em quando, claro que ajudou ter dormido pouco antes e ter dormido na viagem. Mas, para o que me haviam dito, com histórias a lembrar o tempo da Inquisição, esperava muito pior. Até que gostei. Até que repetia - e repeti, sete horas depois. Fossem assim todos os voos de low-cost...
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