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03 September 2009

Pedro no estranho mundo dos comics

Na semana passada entrei numa loja de comics na Hawthorne Blvd. Não uma loja de manga japonês. Não uma loja de banda-desenhada europeia. A Excalibur, assim se chama, é uma verdadeira loja de comics americanos. Dos mais clássicos personagens como o Super-Homem ou o Homem-Aranha até às mais arrojadas grafic novels de novos talentos que podem ter como história o drama humano de New Orleans em 2005. Histórias e estilos para todos os gostos e idades. Uma loja como as que aparecem nos filmes.

Sempre tive curiosidade de saber quanto valeria uma preciosidade - daquelas que nos filmes ficam fechadas décadas num saco inviolável e são lidas cuidadosamente por um qualquer solteiro trintão, com uns bons quilos a mais, usando luvas.

Contrariamente ao que esperava, o mais caro nem sempre é o mais antigo ou mais conhecido. Tudo depende da oferta, explicou-me o dono. Assim, podemos encontrar uma edição especial Batman dos anos 60 por cinco dólares - repito, cinco dólares - e ter que dar 200 dólares - repito, 200 dólares - por uma revista com pouco mais que dois anos mas que foi a primeira em que Barack Obama surge na capa - apenas porque nessa última a tiragem não foi além de umas escassas centenas.

Para casa, mais por curiosidade que por paixão, trouxe um comics sobre os primeiros cem dias de Barack Obama no poder e um número das Teenage Mutant Ninja Turtles da década de 1980 pelas mãos de Eastman e Laird. Havia muito mais por onde escolher.

Foto: Google Images

03 March 2009

Primeiro dia

Io sonno a Cesena. Cheguei. Cesena não está a ser uma seca, garanto-vos. Desde logo, porque chove desalmadamente desde que aqui cheguei. Mas eu sorrio. Desde que me atrevi a ir às terras de sua Majestade não consigo deixar de gostar de uma cidade pequena e típica com um tempo cinzento e chuvoso. Apesar de chuva, e talvez pela chuva, estou a gostar de Cesena.

Cesena é uma cidade adoravelmente pequena. Suspeitamos que demoramos mais a receber uma mensagem escrita que essa pessoa a chegar a nossa casa. Garanto-vos.

O comércio aqui fecha cedo. Está bem. Eufenismos à parte, o comércio tem um horário tão bom como um omolete de queijo na dieta alimentar de uma vaca. Mas, ainda assim, consegui encontrar umas lojas abertas. Comércio tradicional, pois claro, que aqui os italianos não brincam: o vídeo clube Blockbusters tem uma boa selecção de junk food que aconselho a todos os que não encontrem outra alternativa aberta. Valeu que eu, a Tânia e a nossa colega francesa de mestrado, a Melanie, e a sua mãe, fomos jantar a um verdadeiro restaurante italiano. A pizza caseira e ultra-congelada do Blockbuster teve que esperar em nome de um sofrido e excessivamente saudável risoto porcini.

Antes disso, comprei umas frutas ao peso (de ouro, a julgar pela conta) na única frutaria digna desse nome - o escorbuto, todos sabemos, ataca silenciosamente pelo que há que não correr riscos. Deu para safar enquanto não chegava quarta para fazer compras dignas desse nome (e preço, já agora).